Cadê as portas de saída, presidente?

 Cadê as portas de saída, presidente?

O Bolsa Família foi alvo de minha tese de mestrado. E a conclusão a que cheguei, então, foi a de que, assim como o anterior Bolsa Escola, da forma como havia sido estruturado, trazia muito mais benefícios políticos e econômicos do que sociais. Políticos porque é um programa que não apenas rende votos como também melhora a imagem do governo mundo afora a ponto até de atrair investimentos externos com a melhoria nos índices de renda do País. Econômicos porque, de fato, reduz a pobreza momentaneamente e ajuda a girar pequenas economias locais onde o programa é implantado.

A área social é a menos beneficiada. Embora seja um enorme alento para as famílias que recebem o benefício – e que realmente precisam desse apoio básico para sobreviver -, o programa, a longo prazo, pouco muda. Se retirado, as famílias voltam à estaca zero. Foi o que pude atestar em uma reportagem que fiz ainda em 2006. Por isso, é tão importante, antes de aumentar os beneficiados, como propõe agora o Ministro Patrus Ananias, é preciso reduzi-los, ou seja, emancipar aqueles que já vêm sendo beneficiados há anos e que, em tese, deveriam já estar preparados para seguir sozinhos. Não estão.

Embora seja preciso admitir avanços nos níveis de emprego e renda, a desigualdade segue assustadoramente alta, como mostra relatório do Ipea publicado hoje. Isso significa que os pobres até estão menos pobres, mas os ricos estão muito mais ricos, e o País continua distribuindo seus recursos – na forma de educação e saúde, principalmente – de forma desigual. E nem todos os Bolsas Famílias do mundo vão resolver isso, se os brasileiros continuarem partindo de bases tão distantes.

365 dias e muita gente para agradecer!

 365 dias e muita gente para agradecer!

Adoro fim de ano – exceto pelos shopping e estradas lotadas, dos quais fujo como o diabo da cruz. Fico mais em casa, mais quieta, mais sozinha. Mergulho de cabeça na onda de rever o que passou e fazer planos para o que vem. E 2009 foi, para mim, um ano muito especial porque tive a sorte de esbarrar em pessoas com quem aprendi muitíssimo.

Caco de Paula, meu editor na Veja SP, onde trabalhei, escreveu certa vez que assimilamos um pouco de cada pessoa que conhecemos, seja em uma conversa breve ou nas relações mais estáveis e duradouras. Somos, portanto, um conjunto mutante daqueles que vamos encontrando pelo caminho, desde a infância.

Se é assim, me sinto feliz por ter um pouco das pessoas que cito aqui.

EU SOU TAM TAM

Di Renzo antiga 365 dias e muita gente para agradecer!
Di Renzo, no início dos anos 90, na rádio Tam Tam

Di Renzo hoje 365 dias e muita gente para agradecer!
E hoje!

Foi uma grata surpresa reencontrar Renato Di Renzo, meu professor de artes no colégio, e a atriz e bailarina Claudia Alonso e descobrir que eles continuam, apesar das adversidades e quase nenhum apoio oficial, mantendo bravamente a Associação Projeto Tam Tam.

Rolidei 365 dias e muita gente para agradecer! Rolidei2 02 365 dias e muita gente para agradecer!
Café Teatro Rolidei, da Tam Tam

Por meio de Di Renzo e Claudia, cheguei a Hercílio e José Gonçalo, personagens da vida deles e de uma reportagem minha sobre o que aconteceu com os ex-internos da Casa de Saúde Anchieta, o primeiro manicômio do Brasil a sofrer intervenção pública, dando início à reforma psiquiátrica no País. Vinte anos depois, encontrei um Hercílio independente e trabalhador e um José Gonçalo cantor e compositor, com CD gravado e o nome artístico de Jacaré Gularstone.

Jacar 365 dias e muita gente para agradecer!

Eles provam ser possível aos que têm distúrbios psiquiátricos levar uma vida independente se acompanhados, assim como os que sofrem de qualquer outro distúrbio – cardíacos, obesos, diabéticos, portadores de HIV, hemofílicos etc..

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E AÍ, BELEZA?

Tam Tam 365 dias e muita gente para agradecer!

Claudia e Di Renzo me proporcionaram um momento especial no ano, que foi o desfile com voluntários, jovens e adultos atendidos pelo projeto, no lançamento da campanha E Aí Beleza? Eu sou assim!. Muitas das roupas, lindíssimas, foram produzidas por eles, incluindo o vestido que encomendei para o Ano Novo, pintado especialmente por Rubio, um dos mais antigos integrantes das oficinas de artes do projeto. Lindo trabalho, o do Rubio!

Elisabet 365 dias e muita gente para agradecer!

A campanha E Aí, beleza? traz uma releitura dos antigos calendários de bolso, agora com a nudez de uma senhora de 94 anos de idade, um travesti, a dona Elisabet Custódio (foto), e outros.

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O RIO DE JANEIRO CONTINUA LIIINDO…

Daoud 365 dias e muita gente para agradecer!

Jose Junior (à dir. na foto, ao lado de Daoud), fundador do AfroReggae, que usa a cultura para afastar crianças e jovens do narcotráfico, me proporcionou outro momento muito especial, que guardarei para sempre: um dia no Complexo do Alemão, conjunto de favelas que costuma figurar na imprensa em reportagens sobre violência, mas onde há também uma alegria contagiante, um colorido, a música sempre presente, crianças brincando e estudando e muita gente correndo atrás de uma vida melhor honestamente. Não faço aqui uma apologia à favela e muito menos ao tráfico, mas àqueles que sobrevivem a um duro dia a dia, apesar das dificuldades de viver em uma favela e na presença opressora do tráfico. E, é claro, àqueles que se empenham em virar esse jogo e sobreviventes como Chinaider Pinheiro, recrutado pela ONG na cadeia e hoje coordenador do projeto de empregabilidade para jovens.

No grupo em visita ao Complexo do Alemão estavam Daoud Hari, refugiado sudanês que escapou da morte em Darfur, história que ele conta no livro O Tradutor, publicado no Brasil pela editora Rocco; e a canadense Catherine Pappas, diretora para o Oriente Médio da ONG Alternatives, com projetos no Afeganistão, Paquistão, Palestina, Sudão e Iraque. Catherine levou com ela ao Alemão a filhinha que acabara de nascer. “Você não tem medo?”, perguntei a Catherine, sobre a laje de uma casa no centro do Alemão. “Não. Me parece que nascem muitos bebês nessa favela”. OLhando para o céu azul do Rio, pincelado por múltiplas cores, Daoud observou que “onde há pobreza e conflito, há também muitas pipas”, referindo-se ao cenário de O Caçador de Pipas, no Afeganistão.

natale 365 dias e muita gente para agradecer!

Essa experiência bacana rolou pelas mãos de outro grande profissional, Edson Natale, que se tornou um amigo querido! Natale é um artista, músico, produtor cultural, articulador de boas ideias e pessoas, profundo conhecedor da arte, nacional e internacional, na qual aposta como ferramenta de inclusão (e eu também!). Natale me deu a honra de subir no palco do auditório do Instituto Itaú Cultural, na Avenida Paulista, para mediar palestras de gente absolutamente maravilhosa que promove a paz por meio de ações culturais mundo afora, durante o evento Antídoto – Seminário Internacional de Ações Culturais em Zonas de Conflito. Obrigada, Natale!!!

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LUZ SOBRE A REALIDADE

Liohn 365 dias e muita gente para agradecer!

André Liohn, fotógrafo brasileiro viaja registrando as tragédias humanas que o mundo precisa encarar. Ele me deu a honra de escrever sobre o drama de refugiados somalis, a partir de seu relato pessoal, linda reportagem e fotos incríveis. Grande André!

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ELES AJUDAM A VIVER

E então conheci Dalva Yukie Matsumoto, médica de olhos pequenos, mas o sorrido largo, que enfrenta dia a dia, na Hospedaria de Cuidados Paliativos do Hospital do Servidor Público Municipal e no Premier Hospital, aquilo que a maioria dos médicos mais teme: perder um paciente. Ela é médica paliativista e já organizou até o casamento às pressas de um paciente com câncer terminal. Tudo para realizar seu desejo.

Na mesma reportagem, pude falar sobre o centro público de cuidados paliativos que conheci na França, o La Maison, de médicos igualmente incríveis e dedicados como Jean-Michel Riou, que conseguiu até um avião para satisfazer o último desejo de um paciente terminal: voar sobre Côte d’Azur.

Já a conversa com Antonio Carlos Seguro, supervisor da UTI do Instituto de Infectologia Emílio Ribas e consultor em outra reportagem, sobre a temida gripe suína, foi um alento para a minha credibilidade na medicina à serviço público, que eu julgava perdida.

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PERSONAGENS DE MUITAS HISTÓRIAS

É sempre um privilégio e uma grande responsabilidade ouvir aqueles que generosamente nos confiam suas histórias pessoais. Aprendi muito com elas e espero tê-las transmitido com fidelidade. Entre elas, as de:

Marinete Rodrigues Pereira, de 39 anos, que apesar dos movimentos trêmulos por causa de um câncer no cérebro fez questão de passar batom para a imagem que generosamente cedeu de si própria e ilustra a reportagem sobre cuidados paliativos publicada no Estadão.

amayo 365 dias e muita gente para agradecer!

Theresa Amayo, que me relatou a sua vida cinco anos após perder a filha, o neto e o genro em um tsunami na costa asiática, em dezembro de 2004. “É preciso seguir vivendo, pelos que ainda estão com a gente”, disse.

Maria, a espanhola que em uma cela da Casa de Detenção Feminina da capital confiou a mim a história de sua vida, da prostituição na Espanha e Holanda às 61 cápsulas de cocaína que ingeriu e que a levaram à prisão e quase à morte no Brasil, ajudando a expor a tragédia de centenas de estrangeiras pobres usadas como “mulas” pelo narcotráfico internacional.

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SUPERAÇÃO

Senna 365 dias e muita gente para agradecer! Marcelo Senna

Foi um grande privilégio testemunhar o talento e perseverança do autodidata Marcelo Senna, o desenhista de São Paulo, a convicção cativante de Márcia de Alencar em defesa da penas e medidas alternativas, a força de vontade de Ivanildo Dantas, o menino pobre da periferia de São Paulo que virou chefe de cozinha do Restaurante Escola São Paulo – projeto, aliás, elogiável e que deveria ser expandido – e o processo de recuperação de Kresley, o menino que virou iogue dentro da Fundação Casa.

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O chef de cozinha, Ivanildo Dantas.

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MULHER DE BOA ALMA

auma 365 dias e muita gente para agradecer!
Foi de grande riqueza o bate-papo com a queniana Auma Obama, irmã do presidente Barack Obama e uma das ativistas da Rede Esporte Pela Mudança Social, que não apenas reconhece o poder do sobrenome que carrega, como admite sem pudor o uso dele para dar visibilidade à causa que defende na África.

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OUTONO EM CABUL

Os afegãos, com suas histórias e hospitalidade, me permitiram publicar, em fevereiro, um especial sobre a situação humanitária no Afeganistão e realizar uma exposição de fotos com o mesmo tema, em junho, durante o mês da mostra Imagens do Oriente, no CineSesc.

foto abre 365 dias e muita gente para agradecer!

Obrigada aos organizadores, Gilson Parker e Márcia, do CineSesc, Arlene Clemesha, criadora da mostra, e a superempenhada escritora Márcia Camargos, além dos editores Ary Schneider e Roberto Gazzi, que apostaram no projeto desde o início, e, especialmente, ao editor de fotografia Juca Varella, que generosamente doou todo o seu talento à mostra, da qual foi o curador. A exposição não teria saído sem ele!

Aga Khan projects (2) 365 dias e muita gente para agradecer!

A imagem de um grupo de costureiras em Cabul, editada por ele, foi uma das 50 selecionadas para integrar uma campanha da Organização das Nações Unidas, Humanizing Development (Humanizando o Desenvolvimento), que tem como objetivo dar rosto aos precursores de grandes avanços no desenvolvimento humano mundo afora, como aquelas batalhadoras mulheres afegãs.

Aplausos 365 dias e muita gente para agradecer!

Obrigada, geeente! Aplausos!

Com vocês, o humanitário da década!

 Com vocês, o humanitário da década!

Os leitores votaram e chegamos a 15 finalistas para a categoria Humanitário da Década. Obrigada a todos os que contribuiram com essa lista, da qual muito me orgulho. Traz gente de diversas áreas, condições econômicas diferentes e contribuições distintas, mas todas elas muito importantes, para o desenvolvimento das cidades e nações e o aprimoramento dos seres humanos.

Leia abaixo o perfil dos finalistas (aqui, em ordem alfabética). Agora é com vocês! Votem aqui.

Amartya Sen – Vencedor do Prêmio Nobel de Economia em 1998. Criou o Índice de Desenvolvimento Humano, que substituiu a renda per capita como um indicador de qualidade de vida por uma combinação de indicadores que inclui também expectativa de vida e educação. Fez considerações importantes sobre a análise da pobreza, levando em conta diferentes aspectos de cada sociedade, além de outras contribuições para o entendimento do desenvolvimento social, humano e econômico.

Antônio Augusto Cançado Trindade – Jurista brasileiro com larga contribuição na área de direito humanitário internacional e dos direitos humanos. Presidiu a Corte Interamericana de Direitos Humanos, da Organização dos Estados Americanos (OEA), ao longo de dois mandatos (1999-2004), onde ficou conhecido por dar mais espaço aos cidadãos, relativizando o predomínio absoluto dos Estados. Ocupa desde 2008 uma das 15 vagas da Corte Internacional de Justiça, em Haia, na Holanda. Foi eleito com o maior número de votos nos 79 anos de história da instituição, onde defende uma mudança ética e moral à visão conservadora adotada desde a fundação, em 1920.

Bono Vox – Líder da banda de rock irlandesa U2. Usa a sua imagem e poder de influência para levantar fundos para causas sociais e divulgar campanhas, como a que liderou pelo perdão da dívida externa dos países pobres. Concorreu ao Prêmio Nobel da Paz em 2003 e em 2006.

Dagmar Garroux, a tia Dag – Educadora, fundou há 15 anos a organização Casa do Zezinho, no Capão Redondo, extremo sul de São Paulo, que oferece cursos de informática, arte, música, inglês, capoeira, dança, teatro, reciclagem de papel e capacitação para crianças e adolescentes. Esse ano, o projeto foi levado para o Morro da Grota, uma das doze favelas do Complexo do Alemão, no Rio.

Dorothy Stang – Missionária americana assassinada no Pará, aos 73 anos, em fevereiro de 2005. Dorothy lutava pela melhoria da qualidade de vida e o direito de camponeses à terra na região de Anapu, apesar das constantes ameaças de fazendeiros e madeireiros.

Flordelis – Professora da rede pública e ativista social da favela do Jacarezinho, no Rio. Começou abrigando, em sua própria casa, crianças e adolescentes que ela convencia a deixar o tráfico de drogas. Em 1994, acolheu os 37 meninos de rua que escaparam de uma chacina na Central do Brasil. Sua vida é contada no filme “Flordelis – basta uma palavra para mudar”, de Marco Antonio Ferraz e Anderson Correa, lançado em outubro.

Pd.Jaime Crowe – Atua há mais de duas décadas na região pobre do Jardim Ângela, zona sul de São Paulo, com mais de 350 mil habitantes. À frente da Sociedade Santos Mártires, organização sem fins lucrativos, fundou o Fórum em Defesa da Vida, que reúne 250 movimentos sociais. Entre outras ações, organiza desde 1995 os Tribunais Populares, em que a Prefeitura é colocada no banco dos réus e julgada pela população local, com intermediação de representantes do Ministério Público, o que já rendeu ações civis públicas contra as secretarias municipais por negligência, pela falta de equipamentos públicos no bairro. O Fórum já conseguiu levar ao bairro o Hospital M’Boi Mirim, um Batalhão da Polícia Militar e bases comunitárias, o que fez reduzir os índices de violência.

Jeffrey Sachs – Economista americano, autor de O Fim da Pobreza. É diretor do Earth Institute, da Universidade Columbia, em Nova York, e consultor especial da ONU para políticas de combate à pobreza. Em 2006, foi considerado pela revista Time uma das cem pessoas mais influentes do mundo.

José Junior e Evandro João da Silva (em memória) – José Junior fundou há 16 anos o Grupo Cultural AfroReggae, que promove ações socioculturais e tem 72 projetos em andamento, entre os quais 13 SubGrupos culturais de música, circo e teatro. Atua em áreas de risco, na mediação de conflitos e no resgate da cidadania de jovens envolvidos com o narcotráfico. Evandro era o coordenador da equipe técnica social do AfroReggae. Ele foi assassinado em um assalto, em 18 de outubro, aos 42 anos.

D. Luiz Flávio Cappio – Bispo da diocese da Barra (BA), fez greves de fome contra a transposição do Rio São Francisco, que irá levar suas águas para as bacias hidrográficas do Ceará, do Rio Grande do Norte, da Paraíba e do agreste de Pernambuco. A última delas, em 2007, durou 24 dias. Ele não conseguiu evitar as obras, iniciadas esse ano, mas sua luta é considerada vitoriosa por ter obrigado o governo federal a incluir no projeto obras de revitalização do rio, a construção de cisternas e o tratamento de esgoto dos municípios ribeirinhos.

Muhammad Yunus – Economista nascido em Bangladesh, onde criou o Grameen Bank, considerado o maior banco de microcrédito do mundo, com 7,5 milhões de clientes, 28 mil empregados e mais de US$ 1 bilhão concedidos em empréstimos por ano. Apelidado de “banqueiro dos pobres”, recebeu o Prêmio Nobel da Paz em 2006.

Noam Chomsky – Filósofo, pensador e professor de linguística americano, defensor da Justiça e liberdade e crítico feroz de toda forma de opressão e poder – do comunismo soviético ao liberalismo norte-americano. É autor de dezenas de livros, entre os quais Human Rights and Foreign Policy, lançado em 1978, O Lucro ou as Pessoas? – Neoliberalismo e Ordem Global, e 11 de Setembro.

Sergio Vieira de Mello – Representante da Organização das Nações Unidas (ONU) no Iraque, onde foi morto, aos 55 anos, em um atentado à bomba contra a sede da instituição, em Bagdá, em agosto de 2003. Desde 1969 na ONU, Vieira de Mello teve papel essencial nas negociações diplomáticas em conflitos como Líbano, Bósnia e Ruanda, e por cinco meses governou o Timor Leste, após a independência.

Sting – Roqueiro inglês, fundou a organização internacional Rainforest Foundation, em 1989, que atua pela proteção das florestas e dos povos nativos. No Brasil, o cantor tem histórico de militância em defesa dos índios da Amazônia.

Zilda Arns Neumann – Médica pediatra e sanitarista, de 75 anos, fundadora da Pastoral Da Criança e da Pastoral da Pessoa Idosa. Presente em todos os estados do Brasil e em mais 20 países, a Pastoral da Criança tem mais de 240 mil voluntários capacitados atuando em 40.853 mil comunidades em 4.016 municípios. Acompanha quase 95 mil gestantes e mais de 1, 6 milhão de crianças pobres menores de seis anos.

Quem é o humanitário da década? Vote!

 Quem é o humanitário da década? Vote!

Caro leitor, abrimos uma votação para que você indicar o nome de quem, na sua opinião, mas contibuiu para a melhoria da condição humana na última década. Vote aqui no Humanitário da Década!

Por definição, humanitário é aquele que se interessa pela melhoria da condição humana. Desses, quero crer, há milhares entre nós. Na prática, para ter tal título, não basta ter interesse, mas trabalhar por isso. O que implica, muitas vezes, em abrir mão dos próprios interesses e de questões individuais em favor de um objetivo comum, do coletivo, de algo que beneficie a todos. É aí que a lista se encolhe.

Vivemos a era do individualismo, do carro frequentemente ocupado somente pelo motorista, dos prédios com cinco garagens para guardar o automóvel blindado de cada integrante da família, que já não se reúne; de vizinhos desconhecidos, de filhos criados por babás, de vovós esticadas e ‘botocudas’ graças a promessas de juventude express (gente, eu tenho saudade do cabelo branco e das rugas de uma vida bem vivida das antigas vovós!).

Vivemos a desconfiança mútua, de tudo e de todos. São tempos de vidro fechado, de porta trancada, de muros altos, de cerca elétrica, de criança que não brinca mais na rua, de jardins e canteiros protegidos por grades para o bem dos motoristas e moradores que olham de longe o verde passar pela janela e acham lindo, da beleza artificial acima do bem viver.

Vejam vocês que dia desses eu estive em uma nutróloga, porque ando me alimentando muito mal, e ocorreu à doutora, esticadinha que só, me dar uma dica de método natural contra o envelhecimento: não sorrir, nem chorar, nem emburrar ou tampouco se emocionar, mantendo sempre o mesmo semblante. Socorro! Se rir dá rugas, eu quero morrer parecendo uma casca de maracujá!

Enfim, o leitor deve estar se perguntando o que é que tudo isso tem a ver com o humanitário da década. A resposta é: tem tudo. Porque ser humanitário começa em participar da vida coletiva em família, no condomínio, nas reunião da associação do bairro, nas gentilezas praticadas no caminho de casa para o trabalho, no olhar para o lado e enxergar o outro, na confiança e importância do seu voto, em gastar uns minutinhos para verificar, afinal, o que anda aprontando o seu vereador, em se interessar pela vizinhança, em contribuir com uma cidade, um estado, um país melhor e daí virá um mundo melhor.

Assim, os nomes votados aqui devem servir não para criar heróis, mas para que sejam uma inspiração para o meu e o seu dia a dia. Porque a melhoria da condição humana começa com a gente!

Abraços,
Adriana

Colóquio Internacional de Direitos Humanos: acompanhe ao vivo

 Colóquio Internacional de Direitos Humanos: acompanhe ao vivo

As palestras e discussões da 9ª edição do Colóquio sobre Direitos Humanos, organizado pela Conectas, que acontece até sábado, pode ser acompanhado, ao vivo, pela Internet. Os debates contam com a participação de 33 especialistas de vinte países. É só clicar.