Da Agência Dinheiro Vivo
André Inohara
Brasil a caminho do desenvolvimento
O Brasil tem uma grande oportunidade de manter o caminho do crescimento e completar a transição de país emergente para desenvolvido, rumo a uma economia desenvolvida, disse o ex-presidente do Banco Central, Gustavo Franco. “Temos que prestar atenção a esta nova fase, agora o desafio é chegar lá em cima”, afirmou, durante o XVIII Congresso Brasileiro de Economia.
“Deixamos para trás um longo processo de industrialização e agora temos inflação normal e somos investment grade”, disse Franco. Ele cita que o Brasil está cumprindo etapas no processo de desenvolvimento, como a implantação de políticas econômicas ortodoxas de controle de déficit, inflação e câmbio.
“Todos os países que tiveram políticas ortodoxas melhoraram de situação econômica e experimentaram apreciação cambial”, disse. No entanto, ressalta que o País ainda precisa resolver questões de competitividade “que não podem ser resolvidas pela moeda”, o que sugere a melhorias em infra-estrutura.
Mundo ainda vai enfrentar nova recessão antes de se recuperar
A recuperação mundial ainda vai passar por sobressaltos, disse o economista Yoshiaki Nakano, diretor da escola de economia da Fundação Getúlio Vargas e ex-secretário da Fazenda de São Paulo. “Acho que estamos mais para uma recuperação em ‘w’ (recessão de duplo mergulho) do que um ‘u’ (recessão longa)”, comentou. “Não vejo possibilidade de a economia mundial retomar para valer um crescimento sustentável em curto prazo”, acrescenta durante o XVIII Congresso Brasileiro de Economia.
Para Nakano, a queda brusca do poder de consumo nos Estados Unidos e dos investimentos impedem a retomada mais consistente. “Os EUA estão muito endividados e enfrentam restrição de credito, o que está elevando a taxa de poupança. Isso vai durar algum tempo”, observou. “Com a queda das exportações mundiais (e aumento da capacidade ociosa industrial), dificilmente os investimentos vão voltar rapidamente”.
Além disso, as causas financeiras que culminaram na crise não foram resolvidas. “Primeiro, há a questão do endividamento excessivo (para estimular a economia), e segundo os ativos tóxicos não foram totalmente retirados do sistema. A crise não esta resolvida”, comentou.
Mundo ainda vai enfrentar mini-bolhas
A grande quantidade de liquidez no sistema financeiro norte-americano vai provocar mini-bolhas especulativas, disse o diretor da escola de Economia da Fundação Getúlio Vargas, Yoshiaki Nakano. “Com essa imensa injeção de liquidez, o mercado voltou a praticar as mesmas operações especulativas. A Bolsa, por exemplo, já aumentou mais que no ano passado. Isso (o excesso de liquidez) está gerando bolhas com a compra de ativos”, comentou, durante o XVIII Congresso Brasileiro de Economia.
“Nos EUA, o Goldman Sachs está dando um lucro inédito e o sistema financeiro ainda distribui bônus polpudos. E há as operações de commodities como as que estão elevando o preço de petróleo”. Para Nakano, a recuperação dos preços do petróleo nos mercados futuros “não faz sentido”.
“Isso é objeto de especulação financeira. Existem instituições que pegam crédito no mercado de capitais e conseguem fazer preço nos ativos”, observou.
A especulação com o real também é uma bolha potencial, cita Nakano.
“Definitivamente, o real entrou no portfólio dos especuladores de moedas. Quando a liquidez da moeda aumenta, provoca uma captação de recursos por meio da compra de commercial papers para se especular com moedas commodity”, disse.
Além disso, o sistema financeiro paralelo norte-americano, o chamado ‘shadow banking’, não foi controlado. Esse sistema consiste em agentes que cobram taxas para intermediar recursos de um emprestador que não necessariamente um banco, a um tomador correspondente, que pode ser uma corporação. “Foram esses (intermediários) que geraram a capacidade excessiva de crédito que esta por trás da crise”, afirmou.
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