"Brasil deve usar Olimpíadas 2016 para reduzir desigualdades", diz Obama

 "Brasil deve usar Olimpíadas 2016 para reduzir desigualdades", diz Obama

 "Brasil deve usar Olimpíadas 2016 para reduzir desigualdades", diz Obama

Auma Obama é uma mulher cativante. Tive a chance de conversar com ela, para uma entrevista publicada pelo Estado, durante evento esportivo em São Paulo e saí de lá convencida sobre o poder para a transformação social. Acadêmica, formada em letras na Alemanha, com PhD em linguística, fluente em inglês, alemão, swahili e luo, idioma da tribo onde nasceu, e ativista social, a irmã do presidente americano Barack Obama trabalha para incluir crianças e jovens dos países mais miseráveis da África, entre os quais a Ruanda e o Congo, usando atividades esportivas como ferramenta.

Vaidosa com seu cabelo rastafári, essa queniana que esconde a idade veio ao Brasil mostrar o trabalho que faz como consultora da ONG Care e diretora da Rede Esportes para Mudança Social.

Filha de Barack Hussein Obama Sr. com a primeira mulher, Auma conheceu o caçula quando ele lhe escreveu após a morte do pai, em 1982. Os dois se encontraram em Chicago e, mais tarde, ela o acompanhou à Kogelo, o vilarejo natal dos Obama, no Quênia, como conta Barack em seu livro Dreams from My Father (A Origem dos meus Sonhos, no Brasil). Auma participou intensamente da campanha do irmão e ouviu dele agradecimento especial no discurso da vitória. Auma mesmo evita falar no irmão.

Veja aqui a íntegra da entrevista:

O que você achou do Rio vencer Chicago para sediar as Olimpíadas 2016, apesar do lobby do presidente Barack Obama?
(Risos) É uma competição, então, só nos resta parabenizar o vencedor.

Alguns avaliam que o Rio e o Brasil não mereciam sediar a Copa do Mundo 2014 e as Olimpíadas por causa da violência e corrupção…
Aos críticos eu diria que, uma vez escolhido o Rio para sediar a Copa e os Jogos, eles devem agora canalizar sua energia para garantir que os dois eventos tragam benefícios de longo prazo para o Brasil. Sobre corrupção… Veja, as regras já existem e estão aí, só não são cumpridas, por isso se chama corrupção. Então, condicionar os investimentos a mais leis e regras não vai prevenir a corrupção e acho que tira o foco daquilo que importa, que é o esporte. O que o governo brasileiro tem de fazer agora é concentrar os esforços para provar ao mundo que está preparado para sediar um evento desse porte e aproveitar os investimentos para trazer benefícios de longo prazo ao País.

Como?
O Brasil é uma nação de amantes do esporte. Nos vemos o que acontece nos jogos de futebol, quando todos se juntam nos estádios e as desigualdades desaparecem. Quando se trata de esporte, o Brasil se torna uma só nação. E um evento internacional desse porte aumenta a auto-estima das pessoas, motiva crianças, jovens, adultos, comunidades inteiras. Agora, o que não podemos é criar uma grande expectativa e depois do evento tudo voltar ao normal. Se o governo for esperto, irá canalizar esses investimentos para reduzir as desigualdades. O esporte é isso: participação e inclusão. Entidades de base que trabalham diariamente com esportes e as crianças e jovens das comunidades carentes devem ser envolvidos na organização. Primeiro, porque eles vivem na pele a carência dos investimentos em esporte e sabem o valor que isso tem. Depois, podem encontrar soluções para que os milhões a serem investidos nos Jogos sejam destinados a infra-estrutura, que mais tarde poderá ser colocada à disposição das comunidades.

Por que trabalhar com esportes?
Porque nós precisamos atrair as crianças e garantir que eles continuem voltando e o esporte é uma excelente ferramenta para isso. O atrativo é a garantia de poder jogar e brincar, o que é um luxo para muitas crianças pobres, sem espaço nas comunidades. Com isso, conseguimos que passem os dias com a gente. A partir daí criamos um vínculo e eles próprios começam a se transformar. Passam a cuidar da própria saúde, por exemplo. Meninos de rua que atendemos largaram as drogas porque queriam melhorar sua performance no esporte. As famílias passam a vir aos jogos, então, é uma forma de engajar toda a comunidade e acabamos unindo esses eventos esportivos a palestras e campanhas sobre assuntos como HIV. Devagarinho vamos mudando a vida deles e não há nada com maior potencial de transformação economicamente tão eficaz quanto o esporte. Para música, você precisa de instrumentos. Para teaatro, de um espaço adequado e audiência. No esporte, principalmente o futebol, tudo o que você precisa é uma bola de plástico.

A parcela do orçamento público destinada aos esportes deve ser obrigatória, como são saúde e educação no Brasil?
Seria uma legislação difícil de seguir. Mas, acho que os governos devem acordar para o fato de que o esporte é uma ferramenta de educação e saúde.

Como é ser uma Obama hoje?
A minha vida mudou completamente. Vamos ser honestos, você não estaria aqui me entrevistando se eu não fosse uma Obama… Então, tento canalizar essa atenção toda e a visibilidade que passei a ter para o meu trabalho. Por outro lado, é uma responsabilidade muito grande porque onde quer que eu vá, as pessoas querem ouvir a minha opinião e eu acabo fazendo papel de porta-voz das organizações que represento. E isso é complicado, então, eu tento controlar o número de entrevistas.

Como foi para você ver Barack Obama chegar à presidência dos EUA?
Eu não gostaria de responder perguntas nessa linha. O que isso tem a ver com meu trabalho?

É o primeiro afro-descendente a assumir a presidência da nação mais poderosa do mundo. Isso tem a ver com direito de igualdade, oportunidade, desenvolvimento…
É, nesse sentido, eu concordo com você. O meu irmão é um exemplo de que, se você trabalhar duro e se preparar, pode ser o que quiser, até presidente dos EUA. Essa mensagem é muito poderosa, um estímulo grande para as crianças e jovens pobres do mundo inteiro.

Como é a sua relação com o presidente Obama?
Como a de quaisquer irmãos. Ele está lá, trabalhando, enquanto eu estou dando essa entrevista. Às vezes nos telefonamos. Outras nos visitamos. Somos irmãos.

Ele apoia o seu trabalho?
Claro. Muito. Assim como eu, Barack sabe que as crianças são o futuro de uma nação, coisa que muitos adultos se esquecem.

De onde vem essa inspiração dos Obama para mudar o mundo?
Meu pai era um homem de muitos princípios, que trabalhou para o governo no Quênia e viu muitas coisas erradas. Então, eu cresci acompanhando as frustrações dele, mas, ao mesmo, tempo vendo-o manter firmemente suas convicções e nos encourajando a fazer o mesmo. Era um homem de grande caráter, que tratava a todos de forma igual, fosse um governante ou morador de rua. Ele dizia: Não se deve avaliar um livro pela capa.

Cabul ou Rio?

 Cabul ou Rio?

5748591 Cabul ou Rio?

 Cabul ou Rio?

Não eram exatamente estas fotos que eu gostaria de usar, mas não encontrei as originais. Estavam em um dos jornais que eu li nas últimas duas semanas, sob o título “O jogo dos Sete Erros”, só não me lembro qual foi (eu estava em férias, afinal). O fato é que existem outras semelhanças entre o Afeganistão e o Rio, que não somente o uniforme paramentado dos oficiais.

Uma delas está na estratégia de combate das polícias do Rio e dos soldados da Otan no Afeganistão, responsável na visão de muitos especialistas pelo fracasso das forças de segurança tanto lá quanto aqui. O presidente Barack Obama já percebeu o erro e conferiu a nova estratégia militar no Afeganistão ao general Stanley McChrystal. O militar moderado confia mais no trabalho de inteligência e na interação com os afegãos para o sucesso da empreitada americana no país do que nas ofensivas que matam milhares de civis inocentes, minam a credibilidade dos militares e jogam muitos para o lado dos Taleban.

O Rio ainda não enxergou isso, infelizmente, e segue investindo em mega-operações de mesmo efeito: resultam em um número alto de mortes, minam a credibilidade da polícia nas comunidades e jogam muitos jovens para o lado dos traficantes.

Outra semelhança está na ausência de um governo central forte, sem credibilidade junto à maioria. Sandra Carvalho, diretora da Justiça Global, me contava durante um café, sexta-feira, sobre como moradores do Complexo do Alemão vêem as obras do PAC: “Eles acham que o governo federal só está lá para abrir caminho para o ‘caveirão’ (como é chamado o camburão blindado usado pelo Bope)”, diz. Isso porque o Estado quase nunca se faz presente nas favelas, exceto na forma das tais megaoperações policiais e operações de despejo. Ou seja, para o povo, o Estado e a polícia são uma ameaça e não seus aliados.

Oficiais afundados em denúncias de corrupção e de envolvimento com o narcotráfico são outros aspectos de um Estado falido que aproxima realidades tão distintas quanto as do Afeganistão e do Rio.

Obama e Medvedev marcam reunião à margem da ONU

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O presidente americano, Barack Obama, terá quarta-feira uma reunião bilateral com seu colega russo, Dmitri Medvedev, à margem da Assembleia Geral das Nações Unidas, anunciou nesta sexta-feira Susan Rice, embaixadora dos Estados Unidos na ONU.Os dois presidentes vão se encontrar poucos dias depois de Obama ter anunciado o abandono do projeto de escudo antimísseis na Europa idealizado por seu antecessor, George W. Bush. Este projeto provocou tensões entre Washington e Moscou.

Eles também se reunirão num período de intensa atividade internacional, poucos dias antes da cúpula do G20 em Pittsburgh (Pensilvânia, leste dos EUA) e das negociações entre as grandes potências e o Irã sobre o programa nuclear da República Islâmica.

lal/yw

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lal/yw

Obama deve enfatizar que problema climático é questão comum

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Reuters – WASHINGTON (Reuters) – O presidente norte-americano, Barack Obama, vai enfatizar, no encontro sobre mudanças climáticas na ONU, que a questão é um problema em comum ao qual cada país deve responder, afirmou a embaixadora dos EUA na Organização das Nações Unidas, Susan Rice, nesta sexta-feira.